Economia

Lula endurece o tom com europeus e diz que não assinará acordo se tiver adiamento


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil pode abandonar de vez o acordo entre Mercosul e União Europeia caso os europeus não aprovem o tratado a tempo da assinatura prevista para sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR).

Lula declarou que já foi informado sobre a dificuldade de aprovação do acordo no Conselho Europeu por resistências internas em países-chave, como a França – que sempre se colocou contra a parceria – e, mais recentemente, a Itália.

“Eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar [no Conselho Europeu]. Está difícil, porque a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos”, afirmou o presidente durante a reunião ministerial desta quarta (17).

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A pressão brasileira ocorre em meio a sinais de resistência dentro da União Europeia, inclusive com alertas públicos de lideranças do bloco. No início da semana, o presidente da Comissão Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que “o acordo estará morto” se não for assinado dentro do prazo previsto.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que seria “prematuro” assinar o acordo neste momento e confirmou que não dará aval na votação marcada para esta semana.

“Eu já avisei para eles, se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”, disse Lula ao lembrar que o tratado é discutido há 26 anos.

Com a posição italiana, cresce o risco de bloqueio formal do acordo dentro das regras da União Europeia. A adesão de Roma ao grupo contrário liderado pela França alcança o número necessário para formar uma minoria de bloqueio, somando países que representam ao menos 35% da população do bloco.

Polônia e Hungria também já se posicionaram de forma contrária ao tratado, tornando incerta a aprovação da parte comercial do acordo, que é justamente o ponto analisado agora pelo Conselho Europeu.

Lula afirmou que seguirá para Foz do Iguaçu esperando uma resposta positiva, mas deixou claro que haverá consequências políticas se o acordo for rejeitado. “Se disser não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, completou.

O impasse pode adiar novamente a assinatura de um tratado que prevê a integração comercial entre países que somam cerca de 722 milhões de pessoas. O acordo vem sendo negociado há mais de duas décadas e é tratado pelo governo brasileiro como estratégico para exportações e acesso a mercados.

Neste momento, o que está em análise é apenas a parte comercial do acordo, separada dos demais capítulos do texto original. A divisão foi uma estratégia para evitar a necessidade de aprovação em todos os parlamentos nacionais dos 27 países da União Europeia.



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