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'Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia': neurocientista explica efeitos de ser 'multitarefa'



“Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia”. A afirmação é do neurocientista Fernando Gomes, entrevistado de Natuza Nery no episódio do podcast O Assunto da sexta-feira (2).
Na conversa, Fernando explicou quais as consequências para o cérebro humano, e para o corpo, de se ter uma rotina “multitarefa”. (OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA NO PLAYER ACIMA)
Neurocientista e neurocirurgião, Fernando é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele diz que o cérebro humano tem a habilidade de fazer até nove itens “abertos ao mesmo tempo”, mas explica: “quando você faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, o produto final nem sempre é o melhor do que quando você faz uma tarefa por vez”.
Ele exemplifica o que acontece quando uma pessoa “pula” de uma tarefa para outra, mudando rapidamente seu foco de atenção:
“Existe o um gasto metabólico muito grande. Você precisa de oxigênio, você precisa de glicose. E todo o fluxo sanguíneo cerebral terá que ser mudado conforme você permite que a sua atenção passe a funcionar não de uma forma concentrada e sustentada em uma só tarefa, mas em duas”, diz.
Fernando resume as consequências desse processo: “Isso cansa. Leva o cérebro a um processo de exaustão.”
Segundo ele, estimular o cérebro o tempo todo – navegando durante horas em redes sociais, por exemplo – afeta a memória a longo prazo e pode impactar também no aprendizado.
Na conversa, o professor cita também um estudo publicado pela Universidade Stanford em 2009.
“Esse estudo mostra que, apesar de conseguirmos realizar mais de uma coisa ao mesmo tempo, a pessoa que faz muitas coisas ao mesmo tempo tende a apresentar problemas relacionados com atenção seletiva e também com processo de memorização”, lembra.
Fernando fala que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumenta o “grau de alerta” do cérebro, impactando o funcionamento deste que é o principal órgão do nosso sistema nervoso.
Segundo ele, este processo leva ao acionamento do eixo hipotálamo e da hipófise adrenal, jogando mais adrenalina no organismo. “O que faz com que a pessoa fique com aquela percepção de maior atenção que a longo prazo se transforma numa liberação crônica e mais elevada do cortisol”, diz. O cortisol é conhecido como “hormônio do estresse”.
“A gente acha que fazer muita coisa ao mesmo tempo é um sinal de heroísmo. E, na verdade, a gente está subutilizando o nosso cérebro. E estamos nos ajoelhando a um elemento externo que nos cobra algo que só a gente mesmo pode falar: ‘não!'”.
A importância do sono e de fazer “faxina mental”
Na conversa com Natuza, Fernando destaca também a importância do sono e de fazer uma “faxina mental”.
“É preciso entender que há um pilar da saúde: o sono. O período do sono é um período mágico para o cérebro”, diz.
O professor explica que, mesmo neste momento, o cérebro segue funcionando.
“Durante o período do sono, as experiências do dia anterior são organizadas no hipocampo e nos circuitos neurais. Durante o sono, o sistema glinfático, que basicamente faz a limpeza do tecido cerebral, entra em ação com mais vigor, levando neurotoxinas e produtos do metabolismo para fora da caixa craniana. Então, primeira coisa, entender que o sono é sagrado.”
“É como se a gente pudesse descarregar toda a entrada que tivemos de dado e de informações”, diz, sobre a importância de ter momentos de tédio e de “faxina mental”, sem estímulos.
OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI
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O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Apresentação: Natuza Nery.
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.



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