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Indústria brasileira cresce apenas 0,6% em 2025 e culpa juros altos por desaceleração


A indústria brasileira fechou 2025 com crescimento tímido de apenas 0,6% de acordo com dados divulgados nesta terça (3) pelo IBGE. O resultado da Pesquisa Industrial Mensal é reflexo de um ano marcado pela desaceleração da atividade fabril atribuída principalmente aos juros elevados que travaram investimentos e reduziram o consumo das famílias.

Em dezembro, a produção industrial recuou 1,2% frente a novembro e aprofundou uma sequência de resultados fracos observada desde setembro, período em que a indústria acumulou perda de 1,9%, registrando a maior queda mensal desde julho de 2024. Ainda assim, na comparação com dezembro do ano anterior, houve avanço de 0,4%, interrompendo dois meses consecutivos de retração, embora a média móvel trimestral tenha permanecido negativa em -0,5%.

“Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, explica André Macedo, gerente da pesquisa.

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Os juros elevados em 15% há cinco reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, são apontados como responsáveis pelo freio do avanço da indústria e do consumo das famílias. No entanto, na ata do último encontro, divulgada mais cedo, a autoridade monetária sinaliza que começará a cortar a Selic a partir de março com moderação.

Mesmo com o crescimento baixo acumulado em 2025, este foi o terceiro ano seguido de alta em ritmo cada vez menor, após expansão de 3,1% em 2024 e de apenas 0,1% em 2023. Com o resultado, a produção industrial está 0,6% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas segue 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011, evidenciando uma recuperação incompleta do setor.

O crescimento de 0,6% em 2025 foi sustentado por apenas duas das quatro grandes categorias econômicas e por pouco menos da metade dos produtos pesquisados pelo IBGE. As principais contribuições positivas vieram das indústrias extrativas, com alta de 4,9%, e do setor de produtos alimentícios, que avançou 1,5% ao longo do ano.

Na outra ponta, o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis teve queda de 5,3% em 2025 e exerceu a maior influência negativa sobre a média da indústria. Já a indústria de transformação, mais sensível ao crédito e ao custo do capital, encerrou o ano com recuo de 0,2%, reforçando o impacto dos juros elevados sobre a atividade produtiva.

“O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% no ano de 2025”, avaliou Macedo.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis cresceram 2,5% em 2025, enquanto os bens intermediários avançaram 1,5%, sustentados por segmentos específicos da cadeia produtiva. Em contrapartida, os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,7%, e os bens de capital caíram 1,5%, sinalizando retração nos investimentos e na produção voltada ao mercado interno.

A queda de 1,2% da indústria em dezembro foi disseminada e atingiu todas as grandes categorias econômicas, além de 17 dos 25 ramos pesquisados. O principal impacto negativo veio do setor de veículos automotores, que despencou 8,7% no mês, seguido por produtos químicos, com queda de 6,2%, e metalurgia, que recuou 5,4%.

“A queda de 8,7% é a maior para essa atividade desde maio de 2024 (-11,6%). Há um movimento de perda generalizada dentro desta atividade, com queda em automóveis, caminhões, autopeças”, completou o gerente da pesquisa.

Além do impacto econômico, Macedo explicou que paralisações e férias coletivas contribuíram para o resultado negativo de dezembro em vários setores industriais.

Na contramão, o setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 5,4% em dezembro, interrompendo três meses consecutivos de queda e ajudando a conter uma retração ainda maior da indústria no período.



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