O Banco de Brasília (BRB) prevê registrar prejuízos com as operações financeiras decorrentes da relação com o Banco Master e estuda, como plano de contingência, receber aportes de seu “controlador” — o governo do Distrito Federal (GDF). Na prática, isso significaria receber dinheiro do pagador de impostos para cobrir o rombo. Segundo o BRB, a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) já sinalizou com a possibilidade de realizar a capitalização das perdas.
Em nota divulgada na terça-feira (13), a instituição informou que a contabilidade destes possíveis prejuízos está sendo analisada pela auditoria independente Machado Meyer, com suporte técnico da consultoria Kroll. Também na nota, o banco atesta a própria “robustez” com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência (PR) de R$ 6,5 bilhões.
O Banco Master está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB) que podem chegar a R$ 12 bilhões, o que culminou na decretação da liquidação pelo Banco Central. O BRB informou que é credor da liquidação do Master e que trabalha para recuperar fundos aportados, respeitando a ordem de prioridade dos interessados.
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BRB tentou comprar o Master
Em setembro do ano passado, o BRB tentou adquirir parte de uma operação que envolveria papéis sem lastro. A transação gerou investigações sobre fraudes financeiras e resultou na Operação Compliance Zero.
O Master se consolidou como uma maiores crises do sistema financeiro nacional. Desde a virada do ano, novas revelações demonstram a gravidade das fraudes envolvendo a instituição financeira, evidenciando a proximidade de autoridades em Brasília com a diretoria e os negócios do banco.
Nesta quarta, a Polícia Federal (PF) deflagrou a segunda fase da operação contra o esquema de fraudes envolvendo o Master.
A PF vasculhou imóveis de Vorcaro, familiares e aliados, no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens.
Contrato milionário
A teia de acontecimentos em torno da liquidação do Master teve um importante desdobramento: a descoberta de um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, de acordo com uma das provas apreendidas pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero, no final do ano de 2025.
Tal descoberta inaugurou um movimento da oposição ao governo, que tenta a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e um pedido de impeachment para Moraes.



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