O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou insatisfação com o não cumprimento de ordens pela Polícia Federal na investigação contra as fraudes do Banco Master e que levou à deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, na manhã desta quarta (14). Foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.
Os mandados foram cumpridos nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro e envolveram, entre os alvos, os empresários e investidores Nelson Tanure e João Carlos Mansur, este último ex-CEO da Reag Investimentos, além do cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel. Zettel foi detido na última madrugada tentando viajar para os Emirados Árabes Unidos.
“Cuida-se de pedido de busca pessoal e prisão temporária de Fabiano Campos Zettel e de busca pessoal em Nelson Sequeiros Tanure, ambos alvos de pedidos anteriores de medidas cautelares ainda não cumpridas pela autoridade policial”, escreveu Toffoli ao levantar o sigilo de uma das decisões que embasaram a operação, no final da manhã, e que a Gazeta do Povo teve acesso.
A reportagem procurou a Polícia Federal para se pronunciar sobre a crítica de Toffoli e aguarda retorno.
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Há a expectativa de que outro despacho sobre os motivos da operação em si tenha o sigilo levantado nesta tarde.
Segundo o despacho, essas medidas cautelares foram requeridas “com envio da documentação pertinente, no dia 06.01.2026, e deferidas na data de 07.01.2026, com ordem subsequente para cumprimento no prazo de 24 horas a partir de 12.01.2026”. Toffoli destacou que a demora ocorreu mesmo diante de “fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”, o que aumentaria o risco de perda de provas.
O ministro afirmou que a Polícia Federal não conseguiu executar a operação a partir do dia 12, como determinado, e decidiu renovar os pedidos ao identificar que os alvos viajariam na véspera da nova fase da Compliance Zero. Para ele, a movimentação reforçou a necessidade de medidas mais duras para garantir a eficácia da investigação.
“Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas”, escreveu Toffoli, ao apontar também a “falta de empenho no cumprimento da ordem judicial”.
O magistrado ainda alertou que a demora poderia permitir a descaracterização de provas essenciais ao esclarecimento do caso.
À Gazeta do Povo, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.
Segundo fontes a par da investigação, a Polícia Federal atua em duas frentes de apuração: uma sobre as irregularidades envolvendo a operação com o BRB e outra do possível envolvimento com fundos que lavavam dinheiro para o crime organizado.
Alguns dos alvos das buscas estão em endereços de gestoras de fundos na Avenida Faria Lima, em São Paulo, localidade tida como o “coração” do mercado financeiro brasileiro.
Entre os bens apreendidos pela Polícia Federal, estão aparelhos celulares, carros e dezenas de artigos de luxo, equipamentos eletrônicos, armas e munições, dinheiro em espécie e documentos.
“As medidas judiciais visam interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações”, completou a PF.
Defesa de Vorcaro
Veja abaixo o que disse a defesa de Daniel Vorcaro sobre a operação desta quarta (14):
A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.


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